Terapeutas são Padeiros: Como escolher quem nos amassa a alma?

Terapia é pão para a alma, para a mente, para as emoções.

As carcaças, geralmente encontramo-las na rua, em dizeres populares que aquecem o âmago e ajudam à digestão do dia; pena é serem sensaborões. O pão de forma, o empacotado (e talvez o outro também), é como as redes sociais: alimenta, mas não nutre.

Eu quero falar do padeiro: onde vais buscar o pão de Mafra ou a broa de milho, os verdadeiros pães maçudos, ou apenas cacetes. Os terapeutas são padeiros. Cada um é especialista numa massa, é verdade, mas é a forma como batem o pão que realmente importa.

Sei que estás aí desse lado do ecrã a fazer a pergunta que tanta gente sussurra ao motor de busca: "Como escolher um bom terapeuta? Que cuidados devo ter?" Pesquisas por uma saída, por um norte, talvez com o dedo suspenso no rato, prestes a clicar para agendar aquela sessão de terapia regressiva que tanto te intriga e assusta.Mas antes de clicares, antes de entregares a tua mente ao forno de alguém, senta-te comigo. Deixa-me abrir-te a mente para essa procura, porque escolher quem te mexe na alma exige uma escolha consciente.

Cuidar da alma, como fazer pão, é um trabalho estritamente artesanal: exige o tempo da levedura e o calor certo do forno.

Há os que batem os ingredientes, aquém, além, surdos de significado: farinha mais água dá pão...? O fermento será opcional? O resultado é um pão que não leveda, uma massa cinzenta e pesada que se recusa a crescer. Há também aqueles que querem ser especialistas de todos os pães ao mesmo tempo: batem, juntam, misturam tudo numa pressa cega e acabam por se esquecer da levedura. O resultado? Um pão frustrado, que promete o céu e entrega o vazio.

Nesta padaria da mente, cruzamo-nos com todo o tipo de fornadas e oficiais do ofício, e é aqui que o teu cuidado deve começar.

Temos os padeiros que abandonam o forno a meio, deixando a fornada terminar abruptamente, sem aviso, entregando um pão cru por dentro e queimado por fora. Há os que nos mantêm eternamente na fila de espera, amassando a mesma massa semana após semana, sem nunca a meter ao forno — uma terapia sem fim que não leva a lugar nenhum, onde o pão nunca chega a cozer e nós apenas acumulamos farinha nos olhos.

Mais perigosos ainda são os que cortam o processo exatamente quando a massa racha e o calor aperta. Há uma catarse, um rasgo na crosta — muito comum quando mexemos no passado e nas profundezas de uma regressão —, e o terapeuta, sem consciência de que o cliente precisa de mais tempo de forno para se estruturar, simplesmente fecha a porta e dá o trabalho por concluído, deixando a descoberto um miolo frágil que precisava de amparo e informação. E, claro, não faltam os que fingem importar-se com a qualidade do trigo, mas cujo único interesse é o tilintar das moedas na caixa registadora ou o sopro de vaidade no seu próprio ego, servindo ilusões douradas em sacos de papel bonito.

Por isso, antes de clicares no botão de agendamento, repara em como o teu "padeiro" mexe na massa. O verdadeiro padeiro — o terapeuta de alma e ofício — trabalha de outra forma.

Este age com zelo e profunda responsabilidade. A sua ética não é um manual guardado na gaveta, mas a água morna com que lava as mãos antes de tocar na dor alheia. Ele entra na cozinha com um profundo interesse na história do cliente, querendo perceber de que searas veio aquele trigo, que ventos moldaram aquela farinha. Move-o uma profunda vontade de ajudar a modificar o que aflige, de transformar o grão duro em alimento que sustente a vida.

O bom padeiro sabe que não se faz pão sem fogo. Ele dá-nos a consciência de que, por vezes, há dor a sentir — o calor do forno é inevitável para que a massa ganhe consistência —, mas que essa dor não tem de se tornar em sofrimento eterno. Ele ensina-nos, com a paciência de quem respeita o tempo da levedura, que o único caminho para sair... é ir por dentro. É preciso arder um pouco para cozer o miolo e endurecer a côdea que nos protege do mundo.

Na hora de escolheres, não te entregues a qualquer balcão. Procura quem saiba honrar o tempo da tua cozedura. Só assim te tornas pão inteiro, daqueles que alimentam, nutrem e sabem a casa.


Susana Beato
Escritora & Terapeuta Regressiva

─── Se sentes que a tua massa está pronta para o forno e procuras um espaço de cuidado, zelo e escuta profunda, [clica aqui para agendarmos a tua sessão de Terapia Regressiva]. Vamos olhar para dentro juntos.

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